Folow the Queen
 

Novas ideias até a última ponta.


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Mar 30, 2011
@ 2:21 pm
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UM BURRO. UM GÊNIO.

http://www.perestroika.com.br/2011/03/30/um-burro-um-genio/

* Por Leo Prestes

Você nasceu no bairro mais pobre de uma cidade industrial do seu país. Você não completou o primeiro grau porque, disléxico, não lia nem escrevia. Você tentou todo tipo de serviço na indústria, mas não durou semanas nem nos mais básicos.

Você resolve, então, virar músico e ter uma banda. Só que não tem habilidade para tocar instrumento nenhum, não consegue escrever letras e sua voz não é das melhores, se comparada à dos frontmen que andam fazendo sucesso no seu país.

Você parece ser o sujeito mais sem perspectivas do universo, mas, como não para muito para pensar, persiste na ideia de ser rockeiro.

Passam 40 anos. Você virou uma das pessoas mais influentes da história e da indústria do rock.

Essa é, resumidamente, a história de Ozzy Osbourne, o cara que vai ali no Gigantinho tocar daqui a pouco. Resumidamente porque, no meio disso, tem um vasto portfólio de coisas que ele fez para dar errado na vida: bebeu e cheirou até ser expulso do Black Sabbath, tocou fogo na própria casa, bateu em duas esposas, foi pai ausente, maltratou animais, mijou num monumento nacional dos EUA, foi preso dezenas de vezes, se deixou enganar por empresários, sonegou créditos a parceiros de composição.

Como um sujeito desses deu certo mesmo assim? Vou arriscar uma explicação.

No meio de milhões de não-talentos, ele tinha um talento. Só um. E teve a sorte de descobrir qual era.

Quase sem ser um músico, Ozzy é responsável pela melhor fase do Black Sabbath, mesmo que depois dele tenham passado pela banda vocalistas que estudaram música, como Ronnie James Dio e Glenn Hughes. Como é que pode?

É que, muito mais que uma certa personalidade na voz e na figura, ele sabia ouvir os riffs de guitarra de seu parceiro Tony Iommi e construir melodias vocais simples, originais e grudentas em cima deles (abaixo tem uma lista de músicas que ilustram bem esse talento).

Com essa única e instintiva capacidade, Ozzy lançou pelo menos seis discos inquestionáveis no Sabbath, mais uns dois ou três na carreira solo.

É ou não é um cara fora de série? Mais ainda se a gente pensar em quantas pessoas ao nosso redor estão de fato usando 100% do seu talento no que fazem. Vivemos cercados de publicitários que querem ser artistas, jornalistas que querem ser escritores, arquitetos que querem ser pintores, empresários que querem ser chefs, chefs que querem pilotar avião.

E, mesmo entre os que estão no emprego ou no lugar certo, pouquíssimos conseguem descobrir o que têm de melhor. Pouquíssimos colocam seu talento à prova, talvez por medo de descobrirem que não eram tão talentosos assim.

Sem sua burrice, talvez Ozzy não tivesse descoberto sua genialidade. Sem sua genialidade, Ozzy teria sido morto por sua própria burrice.

Não sei vocês, mas eu acho estimulante saber que até o cara mais burro pode ser um gênio. E mais estimulante ainda ver esse burro/gênio em ação na minha cidade.